Entrevista com Vidar Edland – Escritor e desenvolvedor de Fading Suns

Na correria da semana, para escrever o post semanal me deparo com um problema. Lendo diversos artigos, blogs e até livros para juntar informações de como mestrar melhor, ou pelo menos, dar dicas. E o volume de informação é colossal. Não é à toa que muitos blogs, artigos são discutidos e repassados pela internet e nos meios RPGisticos. Alguns controversos, outros passados, literalmente, de geração em geração como pergaminhos de conhecimento perdido. o.O
Vamos juntar mais informações para tentar criar algo legal… mas isso fica para a próxima semana.

Mas hoje temos um post muito legal!
Temos uma entrevista com o escritor e desenvolvedor de jogos, Vidar Edland. Ele atualmente trabalha na FASA, detentora atual dos direitos do Fading Suns. Ele concordou em ser entrevistado por mim e nos dá algumas dicas sobre desenvolvimento de jogos e como ele começou e conheceu o RPG. Leiam abaixo e espero que gostem.

Não esqueçam de comentar!!!

Antes de começar a entrevista, você vai nos contar um pouco sobre si mesmo?
Vidar Edland (V.E): Afirmativo! Sou Vidar Edland, um norueguês 38 invernos de idade, que vive atualmente na bela cidade de Bergen. Aqui eu gasto meu tempo trabalhando meio período em um museu, enquanto os meus trabalhos “reais” incluem escrever para o RPG Fading Suns, escrevendo um romance de fantasia e cantando na banda de rock Leper Messiah. Eu tento jogar de RPG uma vez por semana, normalmente conseguindo apenas uma ou duas vezes por mês, o que é bom na verdade. Eu tenho um mestrado em Ciências da Religião (ou seja, “Religiãologiapara leigos) na Universidade de Bergen, especializada em ocultismo moderno e religião egípcia antiga, e eu também fiz um pouco de História, Egiptologia, e áreas afins. Hum … é só isso, eu acho.

1) Como você começou a escrever para jogos e se tornar desenvolvedor?
V.E: Na verdade, eu não tive uma carreira muito variada como escritor de RPG, até agora. Eu escrevi minhas primeiras peças para o fanzine WFRP Warpstone. Isso foi nos anos 90. No fim dos anos 90/início de 2000, eu escrevi um par de textos para um jogo norueguês chamado Fabula. Então, em 2007, comecei a trabalhar em histórias para Fading Suns, nas minhas próprias campanhas. Foi nessa época que eu me aproximei da RedBrick (detentora da licença). Eles estavam interessados no que eu havia escrito, mas estavam insanamente ocupados e demorou um pouco até me convidarem para a equipe. Agora em 2015 completam-se seis anos desde que eu comecei a escrever para Fading Suns –mas eu sinto como se tivesse começado uns 20 anos atrás…


2) O que um desenvolvedor de jogos precisa?

V.E:Essa é uma boa pergunta! Eu não acho que há um conjunto de habilidades específicas exigidas para se tornar um desenvolvedor de RPG. Boas habilidades de linguagem são uma enorme vantagem, porque o desenvolvedor está sempre escrevendo, reescrevendo e trabalhando na edição. A coisa mais importante, contudo, é a paciência e a dedicação. Você vai colocar uma enorme quantidade de tempo se você quiser ser um dos principais contribuidores para um RPG; se esse não é um trabalho que você ama, você vai ficar esgotado muito rápido. Então, teimosia é bom ;). Além disso, ser “casca grossa” é uma vantagem, pois você vai receber feedback ruim de “sabe-tudos” e fãs que contrariam a sua visão, pois ela entra em conflito com a deles. Ah, sim, você também precisa trabalhar em equipe e ter pensamentos originais para ser um desenvolvedor bem sucedido de RPG 🙂

3) Qual o maior desafio?
V.E:Para mim, o maior desafio de ser um desenvolvedor de jogos é tempo e dinheiro. Quantidades ridículas de tempo livre são investidas no negócio de RPG e há muito pouco dinheiro – não porque as empresas são mesquinhas, mas porque há pouco dinheiro no setor. Novamente, é um trabalho feito por amor. O maior desafio de se tornar um desenvolvedor de jogos, no entanto, é dar o primeiro passo e entrar em contato com a equipe de desenvolvedores do jogo no qual você deseja escrever e estar disposto a apresentar uma peça de teste para mostrar a sua dedicação, habilidade e visão. Tal como em tudo, sair do sofá é a parte mais difícil.


4) Desde quando joga RPG?

V.E:Eu comecei a jogar RPGs na primavera de 1990. Meus pais tinham me dado o boardgame HeroQuest de natal e, alguns meses depois, um colega da minha escola notou a semelhança entre as miniaturas do meu jogo e dos jogos de Warhammer Fantasy Battle/Roleplay que ele estava jogando. Então, eu me juntei ao grupo dele. Já na segunda sessão de RPG, eu era o GM. Para mim, jogar RPG (RPGing) foi praticamente amor à primeira vista.


5) Qual seu RPG favorito?

V.E:Bem, é claro que é Fading Suns. Que eu saiba, não há jogo tão rico, coerente, potente e simplesmente divertido quanto Fading Suns. Para mim, é realmente o melhor jogo de todos (que é por isso que eu trabalho para a franquia 🙂 ).


6) Como você se envolveu com Fading Suns?

V.E:Em 2001, me mudei para uma nova cidade, para começar a faculdade. Naquela época, eu estava procurando um novo RPG SciFi e estava ficando cansado das regras desajeitadas da West End Games D6 Star Wars. O cara da loja de jogos local perguntou que tipo de jogo que eu gostaria, e eu disse “Star Wars, só que melhor, e com um toque de Duna, por favor”. Eu saí com uma cópia do Fading Suns 2nd Edition, e eu nunca desviei o olhar desde então.


7) O que acha do cenário? O que você gostaria de desenvolver nele?

V.E:Obviamente, eu adoro o cenário de Fading Suns. Ele tem muito potencial, tantas facetas para brincar, essas culturas ricas… É um jogo que você nunca poderia esgotar, mesmo em cem anos de jogos. Quanto aos meus assuntos preferidos para escrever, eu tendo a gostar de cultura e religião e gostaria muito de fazer dois ou três livros sobre a Igreja Universal do Sol Celestial (Universal Church of the Celetial Sun). Na verdade, eu tenho um monte de coisas escritas sobre o assunto já e se alguma vez tiver livros sobre a Igreja Universal, eles serão fantásticos 😛 Fora isso, eu realmente gostaria de escrever um desses guias de grandes campanhas de RPG, como os de Warhammer ou Call of Cthulhu, com uma campanha épica que ajudaria a expandir e enriquecer o cenário.


8) Qual você acha que é o melhor sistema para começar a jogar RPG, pra alguém que nunca jogou e não conhece praticamente nada do assunto?

V.E:Hum … Algo simples, provavelmente, embora isso dependa do gamer. Alguns jogadores prosperam em regras e mecânicas e é isso que os faz se apaixonar pelos RPGs. Outros jogadores podem se importar menos com as regras e, para esses, um jogo simples pode funcionar. Eu recomendaria Fading Suns para SciFi e Barbarians of Lemúria para Fantasia (BOL pode ser usado para qualquer coisa realmente).

9) E o que você acha que deve fazer uma pessoa que quer começar a montar um sistema novo?
V.E:Tudo! 😛 Mas a coisa mais importante seria a originalidade. Um jogo que é um clone de algo já feito está destinado a morrer uma morte silenciosa. Primeiro, tente pensar em alguns aspectos realmente bons para a configuração e ideias de enredo que você pode construir em torno de regras e configurações. O que não foi feito antes? Ou então, descubra se há um gênero estabelecido que você poderia melhorar de forma significativa (não apenas acrescentando magia e monstros). Por exemplo, em vez de escrever o seu jogo de fantasia medieval padrão, por que não fazer um jogo idade de bronze em vez disso? Ou um jogo em que os sobreviventes de uma colonização fracassada em um planeta alienígena onde estão tentando sobreviver em níveis quase medievais de sofisticação tecnológica? Dito isso, ambos os exemplos acima descritos já foram feitos antes, bem … Vê o quão difícil é ser original? 😉 Esse é o brilho de Fading Suns, que consegue incorporar ideias da maioria dos livros de SciFi/programas de TV/filmes, adicionando uma pitada de fantasia básica e fazendo isso de tal forma que se sente original.
V.E: Finalmente, gostaria de lhe agradecer por esta oportunidade para tagarelar sobre mim e sobre o meu trabalho. Para um aspirante a escritor, não há nada tão divertido como escrever sobre si mesmo 😛

 

Obrigado Vidar pela entrevista! Foi muito bom poder conversar e descobrir um pouco mais sobre desenvolvimento e sua história com o mundo dos RPG’s.
Espero podermos fazer mais entrevistas no futuro.

 

FS

 

Segue versão original da entrevista em inglês.

Before we start the interview, will you tell us a little about yourself?
Vidar Edland (V.E): Affirmative! I am Vidar Edland, a Norwegian 38 winters old, currently living in the beautiful city of Bergen. Here I spend my time working part time at a museum, while my “real” jobs include writing for the Fading Suns RPG, writing a fantasy novel, and singing in the rock band Leper Messiah. I try to get a RPG game on every week, typically succeeding only one or two times a month, which is alright really. I have a master’s degree in the Science of Religion (i.e. “Religionology” for laypeople) from the University in Bergen, specialized in modern occultism and Ancient Egyptian religion, and I have also done quite a bit of History, Egyptology, and related fields. Um… that’s about it, I guess.  

1) How did you started to write for RPG’s and became a developer?
V.E: Actually, I have not had a very varied RPG-writer career thus far. My first published pieces I wrote for the WFRP fanzine Warpstone. This was back in the late 90s. In the very late 90s/early 2000s, I wrote a couple of pieces for a Norwegian game called Fabula. Then, in 2007, I started working on a couple of Fading suns pieces for my own campaigns, that I touched up and approached RedBrick (the then license holder) with. They were interested in what I had, but since they were insanely busy it took a while before I got invited to the team. This spring it will be 6 years since I started writing for Fading Suns – it feels more like 20 years ago though…


2) What skills a game developer needs?
V.E:Now, there’s a good question! I do not think there is a specific skill set required for becoming an RPG developer. Good language skills is a huge plus as there is always writing/proof-reading/editing work to be done. The most important thing however, is patience and dedication. You will put in an enormous amount of time if you want to be a major contributor to an RPG, and if it is not a labor of love for you, then you will get burnt out pretty fast. So, stubbornness is good 😉 Also, thick skin is a plus, as you WILL get bad feedback from know-it-alls and fans who find your vision to conflict with theirs. Oh, yeah, you also need to be a team player and have original thoughts to be a successful RPG developer 🙂  


3) What is the biggest challenge?
V.E:For me, the biggest challenge of being a game developer is time and money. Ridiculous amounts of spare time is invested in the RPG business, and there is very little pay – not because companies are stingy, but because there is little money in the business. Again, it is a labor of love. The biggest challenge of becoming a game developer however, is to take that first step to contact the developer team for the game you wish to write for, and to be willing to submit a test piece to show your dedication, skill, and vision. As with everything else, getting out of the sofa is the hardest part.


4) Since when do you play RPG?
V.E: I started playing RPGs in the spring of 1990. My parents had given me the HeroQuest boardgame for Christmas a few months before, and a school mate of mine noted how similar the game miniatures was to the Warhammer Fantasy Battle/Roleplay games he was playing. Soon, I joined their gaming group. Already in the second RPG session, I was the GM. For me, RPGing was pretty much love at first sight.


5) What is your favorite RPG?
V.E: Well, that is Fading Suns of course. To my knowledge, there is no game as rich, coherent, potent, and just plain fun as Fading Suns. For me, it is truly the best game ever (which is why I work for the franchise 🙂 ).


6) How did you get involved with Fading Suns?
V.E: In 2001, I moved to a new city to start a University education. Around that time, I was looking for a new SciFi RPG as I was growing tired of the clunky rules of West End Games d6 Star Wars. The guy at the local gaming store asked what kind of game I would like, and I said “Star Wars, only better, and with a twist of Dune, please”. I walked away with a copy of the Fading Suns 2nd Edition, and I have never looked away since.  


7) What do you think about the Fading Suns setting? What would you like to write and develop?
V.E: Obviously I love the Fading Suns setting. It has so much potential, so many facets to play with, such rich cultures… It is a game you could never exhaust, even in a hundred years of gaming. As for preferred subjects to write about, I tend to like culture and religion, and would very much like to do 2-3 books on the Universal Church of the Celestial Sun. Actually, I have lots of stuff written on the subject already, and if we ever got to do Universal Church books, they’re going to be fantastic :p Other than that, I would really like to write one of those great RPG campaigns that games like Warhammer or Call of Cthulhu has, an epic campaign that helps expand and enrich the setting.


8) Which RPG would be a good system for beginners and who does not know anything about RPG’s?
V.E: Hm… Something simple probably, although it depends on the gamer. Some gamers thrive on rules and mechanics, and for them that is where they fall in love with RPGs. Other gamers could not care less about rules, and for them a rules-light game might work. I would recommend Fading Suns for SciFi and Barbarians of Lemuria for Fantasy (BoL can be used for anything really).


9) If someone is creating his own RPG, what do you think that person should pay attention to?
V.E: Everything! :p But the most important thing would be originality. A game that is a clone of something already made is destined to die a silent death. Try to first think of some really good setting aspects/plot ideas that you can build rules and settings around. What hasn’t been done before? Or, is there an established genre that you could improve upon in a significant way (without just adding magic and monsters)? For instance, instead of writing your standard quasi-medieval fantasy game, why not do a bronze age game instead? Or a game wherein survivors of a failed colonization of an alien planet are trying to scrape by at quasi-medieval levels of technological sophistication? That said, both of those examples have been done before as well… see how hard it is to be original? 😉 That is the brilliance of Fading Suns, which manages to incorporate ideas from most SciFi books/TV-shows/movies, and adding a dash of rather run-of-the-mill fantasy, and doing it in such a way that it feels fresh.

Finally, I would like to thank you for this opportunity to babble on about myself and my work. For an aspiring writer, there is nothing as fun as writing about oneself :p 

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