Como ser um jogador de RPG melhor – Pt. 2

Preparando-me para a sessão deste mês de RPG, me atrasei um pouco, pois acabei viciando em um jogo de PC que comprei, chamado FTL – Faster Than Light. Simples e divertido. Cada vez um jogo diferente e de forma a deixar mais emocionante. Basicamente você comanda uma nave e tem a importante missão de levar uma mensagem ao seu QG, sendo perseguido pela frota inimiga.
Agora tenho de correr e fazer mapas, verificar as fichas dos PC’s e terminar a história desta sessão!

Também atualizei o look do blog! Espero que gostem! 😉

Nesta semana, estarei continuando a postagem de como ser um jogador melhor.

No fim do post, estarei dando meu parecer sobre o assunto.

Como ser um melhor Jogador – Parte 2

Li o blog do Look, Robot, onde após uma discussão no Reddit e juntando informações de outras pessoas, acabou criando o post. Vou repassar as principais ideias e resumi-las um pouco. Claro que quem quiser ler na integra, o link de encontra abaixo.

Não usarei os palavrões ou termos fortes utilizados no original, mas darei ênfase nos pontos que como mestre e jogador merecem destaque (em itálico). Os exemplos abaixo que usei são fortes e impactantes e eu gosto deles, pois fazem você pensar no que está fazendo.

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1)      Faça coisas – é importante como jogador, não ficar parado. Busque informações, faça perguntas, procure por pistas. Talvez seja óbvio demais, mas nada acontece se você não o fizer, já que você é a estrela do jogo.
(O jogo é feito de forma a nos entreter. Temos de perceber que o que torna tudo mais interessante são as ações que podem influenciar, mudar e nos fazer pensar. Tome a iniciativa! Acho importante destacar que estar quieto por estar pensando em outras coisas pode afetar o jogo e sua atuação, portanto preste atenção e jogue).

2)      Perceba que seu personagem não existe fora das coisas que você diz dele – Você pode escrever quantos históricos de personagem quiser, mas têm de agir conforme a ideia do seu personagem. É um homem de negócios sem escrúpulos? Faça negócios sem escrúpulos. Você é um personagem selvagem e tem dificuldade de interações sociais? Tenha dificuldade em interações sociais, não vá e sente em um galho de uma árvore! A ideia aqui é ser o personagem e interagir conforme o decorrer das situações. Sempre demonstrando suas forças, fraquezas e habilidades.
(Destacamos o personagem no seu histórico, e isso é muito bom, pois dá uma base para o jogador e para o mestre trabalhar. Mas tem de perceber até que ponto isso pode afetar o personagem. Preste atenção para que seu personagem não seja esquizofrênico a cada sessão. O importante aqui é você agir como seu personagem e não de acordo como você acha que deve agir em determinado momento).

3)      Evite parar as coisas – Negando as ações de outros personagens irá gerar tempo inútil de jogo, afetando negativamente qualquer alteração na história do jogo. Exemplo: o guerreiro quer dar um soco em um babaca, mas o monge é contra e segura o soco. Em termo de jogo aconteceu nada e foi desperdício de tempo. Já se o guerreiro quebrou o nariz do babaca, o que aconteceria? O monge ajudaria o babaca? Daria uma lição de moral no guerreiro? Pediria desculpas por parte do guerreiro? E assim gerou mais interação. Não negue, extrapole.
(Negar e controlar demais os outros jogadores pode ser um balde de água fria em qualquer situação, em especial para o jogador que for negado. Deixe as coisas rolarem. Uma vez que for divertido, jogue pela diversão e se adeque a situação. Muitas vezes “errar” são as partes mais divertidas).

4)      Tenha total controle do seu personagem – “Meu personagem não faria isso.” É um desculpa chata, um grande NÃO para a história em um nível fundamental, a negação de querer participar. Em vez de estar vinculado ás noções que seu personagem faria ou não faria, abrace as complicações e faça acontecer e descubra o porquê. Personagens em situações desconfortáveis são o arroz e feijão da trama.
Você se lembra da grande história sobre um hobbit que disse não a Gandalf e ficou em casa fuçando os seus pés peludos enquanto sua vila era tomada por exércitos da escuridão? Não! Então ponha a mochila nas costas e aventure-se, Frodo.
Se você tem de achar desculpas para explicar suas ações para não querer andar junto com o grupo, bem, motivos não estão escritos em pedra. Um personagem é parte da história e não a história do seu personagem.
(Adoro a analogia do hobbit. Este tema é controverso, pois está tirando uma opção do jogador. Claro que se ele sempre nega tudo e faz outra coisa, ele não aceita a sua visão, como no item 2 acima descrito. Entre as opções que um jogador tem é fazer e pensar em como desenvolver a trama. Claro que você pode dizer não a algo, mas seria muito mais legal se algo tornasse o jogo e a sessão mais desafiadora e divertida).

5)      Não machuque outros jogadores – Ah, aqui esta o jogador que sempre rouba seus amigos do grupo. Sempre com jogadas altíssimas de punga. Nossa, que babaca! Ninguém gosta desta pessoa. Se você rouba de outros jogadores, você está impondo uma forma de poder bem bagunçada e subjetiva. Se eles descobrirem, o que farão a respeito? Vai força-los a escalar a situação? Seria justo eles te matarem por isso? É divertido para eles? Similarmente, atacando outros jogadores também é. Existem sistemas que encorajem este tipo de ação, como Paranoia, mas de resto, é difícil isso melhorar o jogo. Existem muitas coisas que podem ser roubadas e atacadas que não são jogadores.
(Eu sou contra jogadores se matarem, roubarem e brigarem a ponto de acabar a aventura, até influenciando amizades na vida real. Evito ao máximo e dou declarações drásticas para quem o fizer. O RPG é um jogo cooperativo e deve ser jogado como tal. Se você quiser fazer algo traiçoeiro, que acredita desenvolver a trama faça, mas não estrague o jogo e arque com as consequências).

6)      Conheça o sistema, não seja um babaca – Saber o sistema ajuda não só o mestre, mas a você também. Você pode calcular a possibilidade das ações e pode agir prontamente a cada situação. Jogadores novatos, claro estão isentos nestes casos. Mas não seja um advogado de regras. Não o faça! Não é difícil, se você está discutindo sobre uma regra a mais de vinte segundos, você é um advogado de regras. Se você for do Departamento de Saúde e Segurança dos RPG’s, você tem de parar de falar, pois está sugando toda a diversão do jogo. Há regras erradas e isto é normal. O mestre tem todo o direto de alterar as regras para que o jogo fique mais redondo.
(Desnecessário dizer que todo, todo mestre odeia um advogado de regras. Regras são falhas e são baseadas em um mundo falho. Podem ser melhoradas, sim. Cada mestre e jogador podem e devem conversar para editar e alterar regras para melhor jogabilidade. Na minha mesa concordamos que só falamos de regras quando não estamos em jogo, somente entre sessões).

7)      Dê ao jogo sua atenção, se não puder, largue-o – Hey! O que você está jogando ai no seu celular? Oh, é Candy Crush Saga? Que engraçado, achei que com todos estes dados e fichas de personagem tive a impressão que estaríamos jogando Dungeons and Dragons, eu devo estar terrivelmente enganado. É difícil pensar em algo mais chato que alguém jogando um jogo diferente durante a sessão. Se você está ficando aborrecido durante o jogo e está recorrendo ao seu celular, ou lendo um livro ou verificando seu Facebook, você está drenando o grupo com sua presença. É melhor ter uma cadeira vazia a ter alguém não prestando atenção, pois não tenho te entreter uma cadeira. É claro que depende do mestre oferecer um jogo interativo. Lembrando-se do primeiro item, você deve agir.
(Devo concordar. Não há nada mais chato que um jogador distraído ou ausente. Eu fico muito ansioso achando que estou mestrando errado ou de forma chata. Além do que gastei horas pensando e elaborando como entreter meus amigos, não para que eles ficarem jogando um quebra cabeça ou ficar conversando no Tinder. Às vezes é bom assusta-los, com falas que pedem ações ligeiras de forma a fazer todos darmos risada).

8)      Se fizer alguém desconfortável, peça desculpa e fale com a pessoa – Qualquer situação que faça uma pessoa ficar desconfortável e que possa afetar o jogo para ela, deve ser endereçado. Se você acha que deixou alguém chateado, discretamente pergunte se a chateou, se sim, peça desculpas e nunca mais fale isso. É como funciona a sociedade humana, temos de agir conforme suas regras e seja bom.
(Temas que são tabus variam de mesa e de grupo. Mas sempre é bom manter se dentro do socialmente aceitável, ou seja, nada de cunho sexual, racismo ou ser um escroto. Na minha campanha existe racismo entre os humanos e alienígenas, mas tento não usa-lo como forma de jogo, é apenas algo que existe e oprime quem for alienígena. Deixando claro que, odeio racismo e condeno qualquer um que a enalteça).

9)      Seja um Contador de Histórias (Storyteller) – No World of Darkenss (Wod), o livro chama o GM de Storyteller, pois o Mestre é quem está contando a história. É fácil esquecer que os jogadores também estão fazendo a mesma coisa.
Então vamos colocar um pouco de empenho? Diga algumas palavras, desenvolva uma voz e uma postura para seu personagem. Descreva suas ações. Atue juntamente com o Mestre para aumentar a descrição do personagem ou atue por conta, descreva-o e veja se cola. Um bom Mestre irá entender o que você está fazendo e irá acompanha-lo, a não ser que vá contra o que está planejado. Porém a brevidade é a sagacidade da descrição. Um bom Mestre não faz monólogos, ou faz ter discussões longas entre os NPC’s, enquanto que os jogadores observam toda ação. Então é sempre bom manter curto e energético do que longa e floreada.
(Descrever as suas ações é chave para não dar erro durante o jogo. Já aconteceu mais de uma vez por um jogador ser parco demais na explicação que eu entendi errado e as ações do NPC não coincidiam com a imagem do jogador. Voltar atrás e refazer a história é muito chato, portanto descreva de forma a melhorar o cenário. E nada de devaneios).

10)   Abrace a falha – Falhar pode ser embaraçoso. Todos ficam irados quando os dados não favorecem a jogada, especialmente quando se demora muito tempo para chegar ao seu turno, quando vai se usar um superpoder, habilidade ou depois de uma descrição complexa. Não é nem um pouco legal. Temos aprender com a falha, ver que não é um bloqueio e sim uma alternativa. Tem de se pensar: “que outras opções eu posso explorar”. Alguns sistemas tem isso construído neles de praxe – como, por exemplo, Apocalypse World (é um sistema de RPG) – onde eles permitem que de alguma forma afete o mundo cada vez que você rola os dados, não apenas falhar em causar dano no seu alvo. Uma maneira de pensar é ver falhas como atrasos e explicar o porquê seu personagem não conseguiu alcançar o objetivo. Falhar não é o fim do mundo!
(Isso me lembra de uma máxima: Sempre erre para o lado da diversão! Aceite e se adeque a realidade do que ocorreu. Lembre-se que nem tudo acontece como queremos, e o melhor é improvisarmos conforme a aventura se desenrola). 

11)   Jogue o jogo – Isto é um jogo. Não é um desafio que está somente na cabeça do Mestre. Este não é o arco especial do seu personagem. Não é seu blog. Não é uma desculpa para mandar outros jogadores calarem a boca. Também não é uma mesa para se sentar em silêncio. Isto é um jogo.
Encontramo-nos para jogar um jogo juntos, e estamos contando uma história um para os outros e de outros para um, e a história vêm em primeiro lugar. Dê um passo para trás do calor do combate, ou do seu difícil relacionamento com sua mãe meio-Drow ou do jeito que o jogador do Paladino rouba seus dados. Isto é um jogo.
Respeite os outros jogadores, a história e aja em serviço do jogo. Lembre-se que nem sempre as coisas vão da maneira como você pensa ou imagina e isto pode ser bem interessante. Respeite isso.
Faça o que é melhor para o jogo e para a história. Seja ativo, positivo e interessante. Mude as coisas! Se você sair do jogo sem uma boa memória, com algo que aconteceu durante a sessão, que possa ser discutidos anos mais tarde, então todos na mesa falharam.
(O RPG antes de mais nada é feito para nos divertir. Levar em conta que às vezes ficamos demasiadamente focados ou entusiasmados pode afetar não só o jogo, mas as nossas relações com as outras pessoas. Avalie, pondere e faça a melhor jogada, seja no jogo ou na vida).

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Muitos dos exemplos acima podem ser utilizados como um código de conduta. Veja que sempre temos de pensar em RPG não só como um jogo, mas uma interação social, muitas vezes com amigos ou até pessoas desconhecidas. Portanto, cada jogador deve saber suas falhas e saber onde consertar. Não sabe quais são suas falhas? Peça a um amigo identificar. Ser criticado nunca é legal, mas todos podem evoluir para melhor, afinal quem não evolui, perde XP. =P

Quando li este texto, foi um bom chacoalhão e percebi o que preciso melhorar quando estou na mesa como jogador (pois raramente jogo). Ser educado, ajudar nos detalhes do jogo e ser flexível em certas situações, são chave para um jogo divertido. Então vamos jogar melhor! =-)

Enfatizo que uma sessão deve ser divertida! Por quê? Se você não está se divertindo, do que adianta ficar sentando em uma mesa por 4 horas e ficar aborrecido. Nada!

Antes de qualquer coisa, estou baseando as minhas opiniões em situações que vivi e experimentei durante incontáveis jogos durante a minha vida. E em resumo de tudo que li alguns aspectos sempre são recorrentes.

·         Divirta-se – É um jogo e mais do que tudo você precisa se entreter e seus amigos também. Seja parte de algo que você possa dar risada, participar e principalmente gostar;

·         Seja ativo/participativo – Outro ponto comum, onde se você agir mais, falar mais e tiver mais desenvoltura ajuda. Isto também remete ao fato de você ajudar no desenvolvimento do seu personagem, como um histórico, frases típicas e no seu maneirismo. E nada de ser o foco constante, todos devem estar nele;

·         Varie sempre – Tudo bem que você gosta de jogar com anões guerreiros que usam lâminas afiadas de titânio em TODOS os jogos, mas é legal ser algo diferente inclusive para você ter noção do que um novo personagem pode fazer. Também, tome cuidado em não ser igual a outro personagem no grupo, pois acaba sendo chato para um ou mais jogadores quando há guerreiros meio-orcs que são bons em lutar, saquear e rastrear;

·         Seja educado – Acredito que aqui o ponto em comum é em avisar se vai a mesa, não ser um babaca com jogadores e mestre, respeitar as escolhas não só do personagem, mas também dos jogadores e do Mestre;

·         Comunicação é vital – O último ponto que quero falar aqui é, fale sempre com o Mestre e com os jogadores sobre a sessão, regras e jogos, etc. Expor sua opinião e desenvolver o jogo para todos sempre é bom. Veja de falar sempre antes ou depois da sessão sobre o jogo, não durante. O mestre saber o que você achou da manobra errada do NPC, pode não estar errada. E cuidado para não bater de frente com o post acima!

 

Espero que tenham gostado!

Semana que vêm, vamos focar em como ser um mestre melhor!

Fontes:

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2 comentários sobre “Como ser um jogador de RPG melhor – Pt. 2

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